Apresentam livro-entrevista de Peter Seewald: “Luz do Mundo: O Papa, a Igreja e os sinais dos tempos”

VATICANO, 23 Nov. 10 / 02:12 pm (ACI).- Na manhã de hoje foi apresentado no Escritório de Imprensa do Vaticano o livro “Luz do Mundo. O Papa, a Igreja e os sinais dos tempos”. Uma conversação do Bento XVI com Peter Seewald. (Livraria Editora Vaticano). Neste texto o Santo Padre fala de uma série de temas importantes como a luta contra a AIDS, os abusos sexuais de alguns membros do clero, a resposta da Igreja à sociedade de hoje, o papel dos meios de comunicação, entre outros.


Participaram na conferência de imprensa o arcebispo Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a promoção da nova evangelização e o vaticanista Luigi Accattoli. Estava também presente o autor da entrevista, Peter Seewald e Giuseppe Costa, diretor da Livraria Editora Vaticano.

Dom Fisichella afirmou que Seewald interroga o Papa sobre “os grandes temas que marcam a teologia do momento, os diferentes acontecimentos políticos que sempre acompanharam as relações entre os diferentes países e, por último, as interrogações que freqüentemente ocupam grande parte do debate público. Estamos diante de um Papa que não se nega a responder nenhuma pergunta, que se expressa com uma linguagem simples, mas não por isso menos profundo, e que aceita com benevolência as provocações de tantas perguntas”.
O Arcebispo em referência à confusão mediática gerada pelo que afirma o Santo Padre sobre o preservativo comenta que “reduzir a entrevista a uma frase tirada de contexto e de todo o pensamento de Bento XVI seria uma ofensa à inteligência do Papa e uma manipulação gratuita de suas palavras. O que emerge do marco geral destas páginas é a visão de uma Igreja chamada a ser a Luz do mundo, sinal de unidade de todo o gênero humano”.

O presidente do novo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização assinalou que “não se trata de um livro escrito por Bento XVI, e, entretanto se condensa seu pensamento, suas preocupações e sofrimentos destes anos, seu programa pastoral e as expectativas para o futuro. A impressão que se tem é a de um Papa otimista sobre a vida da Igreja, apesar das dificuldades que a acompanham sempre”.

O volume que se apresenta hoje, disse, “é uma entrevista que, em certo sentido supõe um desafio para realizar um sério exame de consciência dentro e fora da Igreja com o fim de obter uma verdadeira conversão do coração e da mente. As condições de vida da sociedade, a ecologia, a sexualidade, a economia e as finanças, a própria Igreja… são questões que requerem um esforço especial para verificar a direção cultural do mundo de hoje e as perspectivas que se abrem para o futuro. Bento XVI não se deixa intimidar pelas cifras das pesquisas, porque a verdade tem outros critérios: “a estatística não é a medida da moral”.

O Santo Padre, continuou o prelado, “retorna freqüentemente nestas páginas à relação entre modernidade e cristianismo. Uma relação que não pode nem deve ser vivida paralelamente, mas sim conjugando corretamente fé e razão, direitos individuais e responsabilidade social. Em uma palavra, ‘colocar a Deus no primeiro lugar é a conversão que o Papa pede aos cristãos e a todos os que desejam escutar sua voz. Esta é a tarefa que o Papa se propõe em seu pontificado, e, honestamente, não se pode negar, que é difícil”.

O Arcebispo concluiu ressaltando que “os traços característicos desta conversa de Bento XVI para compartilhar com o público em geral seu pensamento, sua maneira de ser e sua forma de conceber a própria missão que foi-lhe confiada são sobre tudo a simplicidade e a verdade. É uma tarefa difícil no período da comunicação, que freqüentemente tende a destacar apenas algumas partes e deixar de lado o conjunto. Um livro para ler e meditar, para entender uma vez mais como a Igreja pode ser no mundo anúncio de uma boa notícia que traz alegria e serenidade”.

Por sua parte o jornalista Luigi Accatoli sugere a seus colegas que leiam este livro “como uma visita guiada ao laboratório papal de Bento XVI e ao mundo vital de Joseph Ratzinger”.

Desde o começo, afirmou o vaticanista, o volume adverte que “o Papa pode ter opiniões pessoais equivocadas e que sem dúvida dispõe da ‘faculdade da decisão final’ em matéria de fé, mas ‘isto não significa que continuamente produza infalibilidade’. “Possivelmente nesta reflexão se deverá procurar a primeira raiz do livro-entrevista que confronta também questões difíceis”, acrescenta.

Em várias ocasiões Bento XVI se interroga sobre seus 83 anos e inclusive expõe “a oportunidade da demissão se ele se encontrasse incapacitado para cumprir sua missão”. Na mesma página nega ter pensado em demitir por causa escândalo dos abusos sexuais: “Não se pode fugir no momento no perigo. Sabemos que todos os Papas contemporâneos –desde Pio XII em adiante– consideraram o problema da demissão, mas antes desta entrevista nenhum o havia feito em público.”

O Papa “não tem medo de usar expressões como ‘a pecaminosidade da Igreja’ e o termo ‘sujeira’ para indicar o pecado que está na Igreja; se utiliza pelo menos três vezes no livro a propósito dos abusos de alguns membros do clero e do ‘choque enorme’ que causou”.

Neste âmbito, o Pontífice reconhece “reiteradamente o papel positivo dos meios de comunicação, que já tinha expresso em várias ocasiões mas nunca de forma tão explícita”: “Do momento em que se trata de descobrir a verdade, devemos estar agradecidos”, e sobre este tema “nos presenteia um dos aforismos mais eficazes do volume: “Só porque o mal estava dentro da Igreja outros puderam utilizá-lo contra ela”.

Deste modo o Santo Padre “assegura que não teria levantado a excomunhão do bispo (lefebvrista) Williamson sem ter realizado uma investigação posterior se soubesse da sua posição de negação do Holocausto”.

Bento XVI procura “com cautela e valor uma maneira pragmática através da qual os missionários e outros operadores eclesiásticos possam ajudar a superar a pandemia da AIDS sem passar, mas sem excluir –em casos particulares– o uso do profilático” e reafirma o caráter “profético” da Humanae Vitae de Paulo VI, mas não oculta a existência de uma dificuldade real em “encontrar caminhos que possam ser percorridos humanamente” reconhecendo que “muitas coisas neste campo devem ser repensadas e expressas de uma nova maneira”.

O Papa é “muito otimista sobre o fato de que o cristianismo enfrenta uma nova dinâmica” que talvez o levará a assumir “um aspecto cultural diverso”; mas se sente também “desiludido” porque “a tendência geral de nosso tempo é de hostilidade à Igreja”.

Finalmente o Santo Padre sonha em encontrar a “simplicidade” e o “radicalismo” do Evangelho e do cristianismo. Trata-se de “compreender o drama de nosso tempo, de permanecer firmes na Palavra de Deus como a palavra decisiva e ao mesmo tempo dar ao Cristianismo essa simplicidade e essa profundidade sem as quais não pode atuar”.

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