Recomeçar pela gruta de Belém

“Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 40,7ss)” (Hb 10,5).
“…Mas me formastes um corpo…”, são as palavras do Verbo eterno, o Filho, pronunciadas ao Pai, segundo o autor da Carta aos Hebreus – que aliás retira esse texto do Salmo 40. Agora Ele está no meio de nós, Ele, Deus, mas também Ele como um de nós, mero e simples humano que sofre, tem sede e fome.

Na encarnação, Deus entra na história da humanidade – e entra pela porta da frente, que é o ventre da mulher. Ele entra para participar da história, viver os seus dramas e vencê-los. Ele entra na história e a marca profundamente, a divide ao meio, pois agora existe um Antes de Cristo e um Depois de Cristo. Entrando na história humana, o Filho de Deus entra na intimidade da vida humana e realiza o ato de plena compaixão, que é participar do sofrimento do homem. Desta forma, Deus não assiste o drama humano na platéia de Seu trono, mas Ele se insere no palco, protagoniza o drama e o conduz ao clímax da redenção.
Mas porque seria necessário Deus estar no meio de nós? O autor da carta aos hebreus explica: Toda a tentativa do homem de se aproximar de Deus nos sacrifícios sempre foi, em última instância, em vão. O que são os animais para aproximar o homem de Deus? De nada valem os sacrifícios até então. Mas agora, quem realiza o sacrifício é Aquele que é Deus e homem, n’Ele o homem e Deus se unem novamente e intimamente.
Agora temos um Rei junto de nós. Ainda vestido da vulnerabilidade da infância humana, Aquele que é eterno, é adorado pelos animais, os pastores e os anjos cantam o hino de louvor. Os magos, guiados pelos astros que agora servem ao pequeno Rei, também vêm adorá-l’O e presenteá-l’O. São Gregório Nazianzeno diz que “agora não são os elementos do cosmos, as leis da matéria que, no fim das contas, governam o mundo e o homem, mas é um Deus pessoal que governa as estrelas, ou seja, o universo; as leis da matéria e da evolução não são a última instância, mas razão, vontade, amor: uma Pessoa”
Assim, ao entrar na história do homem, Cristo reconstrói todas as coisas sob essa Sua regência. Todo o criado agora o Louva e n’Ele todas as coisas são refeitas, o universo inteiro, tudo que está nos céus e tudo que está sobre a terra, (cf Ef 1, 9). Agora, a família, o trabalho, a vida social, a cultura, os estudos e até mesmo a religião estão sob o domínio de Cristo e alicerçados na Verdade de Deus.
Alguém ira dizer: será isso uma verdade? O mundo continua sob a angústia do pecado. É, sim, verdade, mas o menino continua no estaleiro, Ele não impõe sua realeza; adora-O quem quiser. Presenteia-O quem quiser.
Caro leitor, no tempo do Natal, a Igreja novamente entra na gruta de Belém. Você já entrou alguma vez? Quem entra encontra o menino simples, deitado na manjedoura. Mas é preciso trazer os seus pastores, animais, magos, estrelas para adorarem e servirem ao pequeno Rei. Que tudo verdadeiramente se curve diante d’Ele. Quem adorá-l’O ouvirá o canto dos anjos na sua vida, na vida de sua família, no seu trabalho, nos seus problemas e doenças, na sua fé a na sua vocação.Então, o menino Rei entrará em sua história, tomará as rédeas e a fará acontecer de novo. Será um marco zero, um recomeço, uma nova história, pois esse é o Rei que faz novas todas as coisas.

André Luis Botelho de Andrade
Fundador e Moderador Geral da Comunidade Católica Pantokrator

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