Quaresma: o que não me contaram? 

Quaresma

A Quaresma para nós, cristãos católicos, é um tempo de preparação para bem vivermos o mistério mais importante de nossa fé, o mistério pascal. É um tempo litúrgico marcado pela cor roxa que se inicia na Quarta-Feira de Cinzas e é finalizado na Quinta-Feira Santa. O nome litúrgico desse período vem do latim “Quadragésima”, que significa período de quarenta dias e que faz referência aos quarenta dias que Jesus passou no deserto. 

A Quaresma tem uma representatividade muito grande nas Sagradas Escrituras, pois o número 40 está sempre ligado a um período de preparação e mudanças, como em Noé – “A chuva caiu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites” (Gn 7,12); Moisés quando recebeu as tábuas da lei – “Moisés penetrou na nuvem e subiu a montanha. Ficou ali quarenta dias e quarenta noites.” (Ex 24,18). Certa vez, o Papa Bento XVI resumiu o significado litúrgico dos quarenta dias assim: “Trata-se de um número que exprime o tempo da expectativa, da purificação, do regresso ao Senhor e da consciência de que Deus é fiel às suas promessas.”  ¹(Papa Bento XVI – Audiência Geral de 22 de fevereiro de 2012) 

O início da quaresma é marcado pelo rito da imposição das cinzas.

As cinzas colocadas sobre nossas cabeças servem para nos lembrar de onde viemos e para onde voltaremos. As cinzas utilizadas na missa da Quarta-Feira de Cinzas vêm dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. A intenção desse rito é nos levar ao arrependimento de nossos pecados e nos lembrar que não devemos nos apegar a nada nesta vida, porque a felicidade plena de nossa existência não pode ser construída aqui nesta terra; a nossa morada definitiva é o céu. Como São Paulo lembrou aos filipenses: “20 Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, 21 que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura.”(Fl 3, 20-21).  

Como viver bem o tempo da Quaresma? 

Para que possamos viver bem a quaresma primeiramente temos que ter em nossos corações o desejo profundo de conversão a Jesus e ao Evangelho. É preciso nos reconciliarmos com a vontade de Deus para nós, e a Igreja nos orienta quais práticas podemos seguir para essa reconciliação, que são: A Confissão, a Eucaristia e a Penitência. 

A Confissão nos eleva para o estado de graça. “A Santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa” (cf. Parágrafo 1324 CIC). A virtude da Penitência é todo um conjunto de atos interiores e exteriores realizados em intenção de reparar os pecados cometidos.  

Exercícios espirituais para vivermos no tempo da Quaresma. 

 A oração

“Orar é uma necessidade vital. A prova contrária não é menos convincente: Se não nos deixarmos levar pelo Espírito, cairemos de novo na escravidão do pecado. Como o Espírito Santo pode ‘ser nossa vida’ se o nosso coração está longe dele?” (cf. Parágrafo 2744 CIC). A oração é uma poderosa ferramenta para nos aproximarmos do Pai, e deve ser um hábito em nossas vidas dentro da nossa rotina diária; a oração nos permite adentrar os mistérios de Deus, e é através dela que podemos discernir a vontade dEle  para nossas vidas. Aproveitemos o período quaresmal para intensificar nossas orações e o tempo que dedicamos a ela. Rezemos por aqueles que amamos e também, especialmente, por aqueles irmãos que temos dificuldade em amar.  

 Jejum e abstinência

“Estão obrigados à lei da abstinência os que completaram catorze anos de idade; à lei do jejum estão sujeitos todos os maiores de idade até terem começado os sessenta anos”. (cf. Cân 1252 – Código de Direito Canónico).
A prática do jejum consiste em fazer apenas uma refeição completa durante o dia; caso haja necessidade, pode-se fazer outras duas pequenas refeições, mas que a quantidade seja sempre inferior a habitual. Grávidas e doentes são dispensados do jejum, assim como aqueles que têm árduo trabalho braçal ou intelectual. A abstinência é a privação de algo que gostamos para mortificar a carne, assim como o jejum, podemos nos abster de comidas ou algum momento de lazer. Conforme as orientações da Igreja, o jejum e a abstinência são obrigatórios na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, e são recomendados fortemente durante todo o período quaresmal. O jejum e a abstinência são práticas espirituais, e não simplesmente uma dieta, pois nos ajudam a dizer “não” ao pecado que ofende tanto a Deus, assim como fazemos no jejum e abstinência dizendo “não” a aquilo que nos dispusemos a nos abster.

Esmola e atos caridade

“Não tenho nada que acrescentar à mensagem que Jesus nos transmitiu. Para poder amar, é preciso ter um coração puro e é preciso rezar. O fruto da oração é o aprofundamento da fé. O fruto da fé é o amor. E o fruto do amor é o serviço ao próximo. Isso nos conduz à paz”. (Madre Teresa de Calcutá em entrevista à revista Sem Fronteira em 1997). Que possamos usar o tempo da quaresma para nos inspirar em grandes Santos da igreja que tanto trabalharam a favor dos mais desfavorecidos; que possamos dar além do nosso dinheiro ou bens materiais; que possamos olhar com profundidade e amor as necessidades do nosso próximo; que possamos dar-lhes o nosso bem mais precioso: o nosso tempo, a nossa atenção. 

Irmãos, que possamos iniciar a nossa quaresma respondendo com um “sim” fervoroso o convite de conversão que Jesus nos faz através do Evangelho. Que nesses quarenta dias possamos refletir sobre os caminhos em que estamos andando, e quais são os novos caminhos que desejamos trilhar para que possamos encontrar uma vida nova, no caminho de amor e verdade que é o próprio Cristo.  

1 – Audiência Geral de 22 de fevereiro de 2012 – Papa Bento XVI. 

Laís da Silva Pinto
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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