Ora et labora – A vida de São Bento

sao bento

A vida de São Bento nos mostra como podemos amar e obedecer a Deus. Desde pequeno, São Bento tinha uma inclinação natural à oração e abandonou a vida no mundo para se retirar para o deserto. Tinha em torno de 15 anos.

A decisão de abandonar a vida pública se deu após ser levado pelos pais a Roma para estudar. O meio em que estava inserido lhe causou grande receio de perder a inocência por causa da companhia de outros rapazes que levavam uma vida repreensível. Assim se retirou para o deserto.

Ele tinha uma ama, que era muito dedicada e o acompanhou por muitos quilômetros, mas querendo viver sozinho, escapou de sua vigilância e foi para o deserto. No caminho, encontrou-se com um eremita que lhe deu o hábito de monge e lhe instruiu sobre a vida monástica. Em seguida o levou a uma gruta bem escondida na serra, de difícil acesso.

São Bento escolheu essa gruta como morada e passou três anos recebendo a visita apenas do eremita para levar mantimentos.

Deus querendo fazer brilhar a luz da santidade do seu servo, revelou a existência do jovem eremita a um sacerdote. Este estava preparando sua refeição quando ouviu uma voz dizer: “Está preparando seu jantar, enquanto meu servo Bento morre de fome no deserto.” O sacerdote saiu a procura do santo e só após superar inúmeras dificuldades o encontrou. Bento, admiradíssimo de receber visita, não quis conversar com o desconhecido, antes de passar com ele algum tempo em oração. Após servir alimento ao santo, foi embora.

Tempos depois o paradeiro do santo foi descoberto por pastores. Assim, aos poucos, foi sendo conhecida a morada do santo, que passou a ser visitado por muita gente para receber conselho e conforto do eremita.

Apesar de estar longe do barulho mundano, engana-se quem pensa que não sofreu tentação. O demônio que perseguiu o Divino Mestre no deserto, descobriu também o esconderijo de São Bento e tudo fez para afastá-lo do caminho de Deus.

Tentava ao santo com jogos de fantasia, ao qual projetava diante da alma do santo as cenas mais sedutoras de vida em Roma.  São Bento resistia com máxima energia e, para extinguir o fogo da paixão e quebrar o aguilhão da tentação, revolvia-se em espinhos, conseguindo por esses meios extraordinários a vitória completa do espírito sobre a carne.

Devido à fama de santidade, recebeu muitos pedidos de pessoas que queriam viver sob sua direção. Após muita insistência aceitou ser Abade de um convento. São Bento teve necessidade de agir naquele local com grande rigor, pois a disciplina estava muito corrompida. Devido a essa postura enérgica, despertou ódio entre os religiosos que fizeram um plano para matá-lo.

Colocaram grande quantidade de veneno ao vinho que ofereceram a ele. Como tinha o costume de abençoar o alimento antes de consumi-lo, ao fazer o sinal da cruz sobre a bebida, a jarra se partiu. Não se irritou, apenas disse: “Deus os perdoe, meus irmãos. Agora tendes a prova de que tive razão, quando, logo no início, vos disse que meus costumes não combinavam com os vossos.”

Após o ocorrido, São Bento abandonou o convento dos monges rebeldes e voltou para gruta. Seus seguidores aumentavam rapidamente. São Bento mandou construir doze mosteiros, cada um com doze monges.

Foi no mosteiro de Monte Cassino que São Bento escreveu a admirável regra para a vida monástica. Nessa obra fantástica, São Bento revela um profundo conhecimento da alma humana para conduzi-la a perfeição.

Morreu dia 21 de março de 543, tendo predito sua morte.

A regra de vida de São Bento

A regra de vida de São Bento foi adotada por todos os monges do Ocidente e conservou-se por muito tempo como base da vida monástica.

A regra prescreve o silêncio, a oração, o recolhimento, a caridade fraterna e a obediência.

São Bento chamava sua ordem de escola para aprender a servir a Deus. Como superior da ordem, mostrou com seu exemplo a excelência da obra. Recebeu de Deus o dom dos milagres e profecias.

São Bento nos ensina o equilíbrio entre a oração e o trabalho, entre a ação e a contemplação.

Em muitas coisas podemos imitar o santo exemplo do grande Patriarca São Bento. Se você não pode viver afastado do mundo, servindo a Deus na solidão, pode usar o domingo como um dia de recolhimento espiritual, dedicando-se mais que nos outros dias à prática de caridade e piedade.

Além de participar da Santa Missa, pode, por exemplo, fazer uma leitura espiritual, visitar um doente, fazer uma oração ou adoração ao Santíssimo Sacramento, examinando mais detalhadamente o estado da sua alma.

A vida de São Bento foi de penitência rigorosa. Todos temos motivos para nos penitenciar por nossos pecados e tomar a firme resolução de não mais querer pecar. A melhor penitência é o fiel cumprimento dos deveres de estado. Se você é casado, seu dever de estado é ser um bom marido/esposa, pai/mãe. É aceitar com paciência a cruz que se apresenta em forma de contrariedades no dia a dia da nossa vida. É fazer oração, jejuar e dar esmolas aos necessitados.

O zelo de São Bento pelas almas, podemos imitar pelo bom exemplo que devemos dar ao nosso próximo, principalmente as pessoas da nossa família.

Uma grande lição também que podemos aprender para vida com São Bento é sobre o olhar. Ainda quando moço, um olhar precipitado e imprudente que ele lançou sobre uma mulher, causou-lhe grandes tentações. Para vencê-las, foi preciso castigar severamente o corpo e fazer penitência. Engana-se quem supõe poder dar toda liberdade aos olhos.

Quem não coloca limite no olhar, mais cedo ou mais tarde verá o inimigo em sua casa. Todo cuidado é pouco. A concupiscência, a inclinação aos pecados carnais é a inimiga mais terrível que temos. Descuidados tornam-se escravos. Cuidado!

Bibliografia:

LEHMANN, J. B. Na luz Perpétua. Vida de Santos. Volume 1. Typ. Do Lar Catholico. Juiz de fora, MG, 1935.

Thaís Casarini
Discipula da Comunidade Católica Pantokrator

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