NATAL, o grande e perene reset da alegria

Natal

Deu bug! Essa expressão, que no mundo da informática significa falha total no sistema, tornou-se expressão de erro, pane total em qualquer coisa. O pecado original é o grande bug do sistema criado por Deus, mas que tinha uma fragilidade propositada, a liberdade humana. Por essa fragilidade, entrou o vírus do orgulho, criado pelo hacker da Humanidade, Satanás. Então, era necessário resetar tudo. Jesus é o grande reset total e permanente. 

Jesus, perene início

O nascimento do Menino Deus zera a Humanidade. É o ano zero. Tudo começa novamente. Por isso, o Papa São João Paulo II dizia na sua primeira Encíclica, dedicada a Jesus, o Redentor: “No mistério da Redenção, o homem é novamente reproduzido e, de algum modo, é novamente criado. Ele é novamente criado!”

Os Evangelhos se esforçam para demarcar que Jesus é o grande início. O prólogo do Evangelho de São João, no capítulo primeiro do Evangelho, é o poema do Verbo Encarnado, do Princípio eterno que “estava com Deus e tudo foi feito por meio dele2. São Mateus inicia seu Evangelho com uma genealogia masculina cheia de significados, mas que termina com uma mulher que parece quebrar a sequência das gerações passadas, apontando para um novo começo por “Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo3. O evangelista, no capítulo 2, narra reis vindos do Oriente para adorar o Menino. Os que regem o sistema do mundo vieram adorar a Este que “reinicia todo o sistema”. São Lucas, por sua vez, é quem narra maiores detalhes desse novo começo, inclusive com o esforço de precisão do momento histórico, especialmente nos versículos 1 e 2 do segundo capítulo. E ele o faz trazendo uma contradição de bugar os neurônios em três versículos contínuos do capítulo 2: no versículo 12, o Menino está envolto em faixas em uma manjedoura, adorado por simples pastores e em meio a animais4, pobreza total; no versículo 13 e 14, aparece “uma multidão do exército celeste a louvar a Deus, dizendo: ‘Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade’”. A terra pobre em seu pecado e os céus em sua glória se curvam diante desse novo Rei. O cosmos inteiro se reinicia e adora o Menino! E a genealogia de São Lucas, colocada no capítulo 3, precedendo o início do ministério de Jesus, apresenta 72 gerações5. Segundo o livro do Êxodo 1, 5, são 72 os povos da terra, e 72 serão os discípulos de Jesus, significando que todos os povos da Terra culminam e se reiniciam em Cristo.

Jesus nasce e tudo se faz novo!

Tudo se faz novamente, o mundo é novamente criado. Por isso, diz São Paulo: “Se alguém está em Cristo é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que tudo se fez nova realidade6. Porém, duas coisas precisam ser entendidas, para que isso se torne realidade em nós. Primeira: a vida de Jesus, Seus gestos e ações não ficaram na história, mas se fazem memória na Igreja: “Fazei isso em memória de Mim7. Fazer memória é tornar atuais os gestos e a vida de Jesus. A segunda coisa é que fazemos memória da vida de Jesus pela fé. Pelo dom da fé alcançamos e temos acesso às maravilhas que Jesus nos deixou. Porém, isso tudo não é único e estático, aconteceu e pronto. Não. Nós fazemos memória todos os dias; e celebramos o Natal todos os anos. Em cada Natal Jesus de fato nasce e tudo se faz novo nos corações de quem faz memória com fé de Seu nascimento. 

Reset da Alegria

O que nos traz esse Menino em sua novidade? Ele nos traz a alegria de Deus, a alegria dos céus. Voltando aos relatos bíblicos do nascimento de Jesus, a alegria dos céus é a grande novidade do Natal.  Já na Anunciação, o anjo saúda a Virgem trazendo a alegria dos céus: “Alegra-te, cheia de graça8. Então, Maria, cheia de júbilo, vai visitar sua prima Isabel. Sua saudação enche o ventre de Isabel de alegria; e ela, então, proclama “feliz és tu que creste9. Então, Maria, exultando de alegria, proclama seu magnificat de alegria. Jesus nasce. E os evangelistas enchem o relato de alegria, alegria dos céus. Os anjos anunciam aos pastores “uma grande alegria que será para todo o povo10. Os pastores, de fato, se enchem dessa alegria e voltam “glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido11. O breve relato de São Mateus também é centrado na alegria. Os reis do Oriente estão alegres, seguindo a estrela e ansiosos por homenagear o Menino. Para isso, trazem presentes na alegria dessa festa. Então, quando encontram o Menino, “alegraram com alegria grande e extremamente12

O Natal traz alegria. Mas não a alegria fugaz das coisas dos homens. Nem mesmo é a alegria da família reunida no Natal. O Menino Deus traz a alegria do céu, a felicidade da Trindade aos homens. A alegria eterna e absoluta de Deus repousa nos corações dos homens “de boa vontade”. “Essa alegria é a grande realidade que paira sobre todas as coisas e que está além de todas as coisas. É essa alegria de Deus que faz a serenidade de todo o universo!… É essa alegria que Deus tem em Seu princípio no amor. Deus é amor e encontra Sua felicidade infinita na expansão do Seu amor…Nosso fim é participar dessa alegria de Deus”13.

Isso é maravilhoso!  A alegria dos céus desce para curar toda tristeza humana. O Natal é o grande resetar de Deus para o bug terrível e triste do pecado. O Natal é o grande recomeço para a alegria de Deus na vida dos homens. Querido irmão, que este Natal seja um recomeço, um marco zero na sua vida. Que você nasça para uma alegria nova, alegria que não se condiciona às realidades desse mundo, sejam boas ou ruins, pois é a alegria do céu em seu coração.

Feliz Natal!

André Luís Botelho de Andrade
Fundador e Moderador Geral da Comunidade  Pantokrator

CITAÇÕES

  1. SÃO JOÃO PAULO II, Carta Encíclica Redentor dos Homens, 10.
  2. Jo 1,2 -3.
  3. Mt 1,16b.
  4. São Lucas não narra exatamente animais junto ao Menino. Mas a tradição, inclusive do presépio, colocou ali animais, pois, havendo uma manjedoura, pressupõe-se a presença de animais; mas também a presença dos pastores que cuidavam dos seus rebanhos reforça essa ideia. 
  5. Embora as fontes possam apresentar também 70 ou 76 gerações, os Padres da Igreja se fixaram em 72, enxergando nesse número uma rica simbologia.
  6. 2Cor 5,17-18.
  7. Lc 22,19; Cor 11,24.
  8. Lc 1,29.
  9. Cf. Lc 1,44-45
  10. Lc 2,10.
  11. Lc 2,20.
  12. Mt 2,9 – preservada a tradução do original grego. 
  13. BEATO FREI MARIA-EUGÊNIO DO MENINO JESUS, Para a alegria de Deus, Cultor de Livros & Edições Carmelitanas, SP.
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