Mira quem te mira!

Mira

Olha quem te olha, veja quem te vê. Olha Aquele que te contempla, “Mira quem te mira“. Santa Teresa de Jesus proferiu esta frase.

Lembro que na minha época de seminário, nosso Reitor, que era espanhol repetia muito isso: mira em Jesus! Na minha época de propedêutico (onde fizemos uma caminhada de discernimento e, após exame volto meu coração ao Matrimônio) achava muito forte o termo “mira”. Para nós, de língua portuguesa, parecia quase ofensivo “mirar” ao invés de olhar.

Acontece que Jesus realmente nos mira. Não com uma luneta, mas com Seu olhar. Seu profundo olhar mira nossa vida, nossa alma, nosso ser mais profundo.

Santa Teresa, em seu livro Castelo interior nos convida a uma intimidade. A uma vida de intimidade através da Vida de Oração. E qual melhor coisa senão contemplar aquele que amamos.

Lembro que, certa vez, saí com minha esposa (na época namorávamos) e reparamos que os casais de namorados sentavam à mesa trocavam beijos e olhares. Já os casais mais velhos – muitos casados, olhavam para qualquer coisa, menos para si. 

Aquilo me levou a refletir profundamente. Quanto namoramos estamos com a paixão, os afetos, os sentimentos aflorados. Tudo é lindo, às vezes até os defeitos são  “lindos”. Então, “perdemos” tempo olhando nos olhos daquele que amamos. 

Quantas vezes ficávamos olhando nos olhos sem nos cansar. Por vezes, perdemos o encantamento com as pequenas coisas. Aquele friozinho na barriga de ver a namorada chegando, perde-se no casamento, devido ao convívio. Mas não podemos perder o enamorar.

Deus é um Deus apaixonado e apaixonante

Deus nos olha, constantemente e a todo instante. Seu Olhar de amor devorador nos persegue. Quando menos esperamos, lá está seu olhar a nos mirar.

Por vezes (e, muitas vezes) Ele está esperando a retribuição desse olhar. Nos perdemos nos conflitos do dia, nos boletos que querem vencer, nas dificuldades do trabalho, no cliente chato, no chefe injusto, no marido impaciente, na esposa que briga por tudo… enfim, esquecemos de olhar nos olhos de Jesus.

Muitas vezes, na mesa de nossa vida, Jesus está apaixonadamente nos olhando mas, como nos acostumamos com Ele (com a missa, a confissão, acostumados a rezar, a adorar, etc) não retribuímos esse olhar, não o Miramos.

Vamos deixando a vida de intimidade pouco a pouco: um dia é o terço que não terminamos. Outro dia é o terço que não iniciamos. Mais um tempo é a missa que não vamos. Mais um outro tempo é a leitura da Bíblia que é esquecida. E, quando menos vemos, estamos na mesa do restaurante olhando o celular e não os olhos do amado, que já não amamos mais!

Deus é um Deus apaixonado e apaixonante. Ele nos quer inteiro para Si. Devora-nos no Ciúme de seu amor. Ele é o Amor Ciumento, devorador, o Amor Poderoso! Nos quer inteiro para SI.

Olha-nos como a preciosidade de Sua vida. Mas nos detemos no ônibus que perdemos, na coluna que dói, na conta que não fecha … tantas são as situações que vamos trocando e não olhando nos olhos de Deus.

Pergunto a você que lê o texto nesse momento: a quanto tempo você não foi na Capela do Santíssimo e, simplesmente, de alma limpa e cândida, apenas olhou para Jesus? Simplesmente não falou nada e ficou contemplando a Branca Hóstia?

Deus nos mira e quer que o miremos! Deus quer que o fitemos, que olhemos em Seus olhos e não falemos nada! Apenas trocar olhares apaixonados. Deus quer uma legião de almas apaixonadas que O olhem e O deseje!

Precisamos sim de atitudes, de ações evangelizadoras, de práticas religiosas, de posturas e palavras que levem muitas almas para o Bom Deus, mas esse mesmos Deus, assim como recebeu a atitude profética e evangélica de Marta é o mesmo que Deus que deixou-se ser fitado por Maria (cf Lc 10, 38-42).

É hora de “perder” tempo olhando a Jesus nas situações do cotidiano, na nossa oração parada, na adoração ao Santíssimo Sacramento, no silêncio da comunhão eucarística. É hora de perder-se no silêncio do olhar de Jesus e deixar que esse olhar, que nos mira, reconstrua nossa morada interna e nos faça santos.

Jesus nos mira. É momento de mirar a Jesus e deixar nossa alma (novamente) se apaixonar por esse Homem, por esse Deus!

“Eu te atraía com laços humanos, com laços de amor. Tenho a ti sempre sob meus olhos, eis que está gravado na palma de Minhas mãos. Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta, não ter ternura pelo fruto de seu ventre? E, mesmo que o esquecesse, Eu não te esquecerei nunca”! (Os 11,1;Lc 13,34; Is 49, 15-16).

 

Leonardo Araujo Pataro
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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