Quando nos decidimos por seguir um caminho com o Senhor, é natural darmos como resposta ao “siga-me” o nosso “guia-me”.
Deste modo, com essa resposta, selamos o início de um caminho de confiança e abandono. Mas não selamos um contrato convencional, Jesus nos pede um outro tipo de relação, através da manifestação dessa livre vontade de pertencer somente a Ele.
Os contratos divinos e humanos
Um contrato bilateral é composto por uma prestação e contraprestação, eu dou algo e recebo o esperado a partir do cumprimento da minha parte. Assim, num mundo ideal onde há o predomínio da boa-fé, há um controle dos desdobramentos da autonomia da vontade de cada um: eu dou, controladamente, o que eu quero e recebo, esperançosamente, o que eu mereço. Então, o verbo não é o “guia-me”, é o “cumpra-se”.
Mas o Senhor tem uma linguagem contratual diferente daquela que estamos acostumados, só há uma semelhança: a necessidade primordial da (boa) fé. Só! Quando pactuamos com Jesus nós damos algo sim – a nossa vida, o nosso sim, a nossa juventude, os frutos do nosso trabalho – ao Seu domínio, porém só dimensionamos a conclusão desse contrato no plano da eternidade, no céu. Logo, aqui na Terra, não calculamos como ele se cumprirá, qual será na prática a resposta ao nosso “guia-me, Senhor”.
Autonomia da vontade que mira o céu
A nossa vontade é que o Senhor cumpra a nossa prestação segundo os nossos desígnios, termos e controle, porque parece que só desse jeito o contrato será cumprido e devidamente concluído. Porém, a resposta ao nosso pedido de “guia-me” é o pedido que o Senhor nos faz de abrirmos mão das expectativas desse contrato, é o pedido que ele nos faz de abrirmos mão da autonomia da nossa vontade, das nossas certezas, das nossas linhas e literalidades.
Você dá e Ele te dá infinitamente mais
Ele pede a confiança, o abandono e a certeza de que as suas linhas estão sempre sobre qualquer respaldo humano! Quando Jesus enviou os Doze, dois a dois, para serem anunciadores do Seu Reino, Ele os enviou sem dinheiro, sem comida, sem troca de roupa, sem abrigo e sem qualquer certeza humana. Ele os enviou alicerçados na certeza de um Pai que nunca desampara e abandona quando um filho pede “guia-me, Senhor”. Jesus enviou cada um na certeza de que estava cumprindo perfeitamente o contrato da Vontade Divina!
O Senhor faz infinitamente mais quando nos lançamos aos seus braços, termos, medidas e quando nos reconhecemos como dependentes de sua misericórdia e intervenção em nossas vidas.
Que você possa ser cada vez mais dependente e necessitado dos contratos puramente divinos, um adimplente dos desígnios da eternidade.
Ana Clara Gonçalves
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator



