Família, lugar de perdão e festa

A vida na Terra nada mais é que um subproduto matemático do tempo, pois trata-se de um intervalo do nascimento à morte. Em termos biológicos, a vida é um fenômeno que anima a matéria e na química é meramente a organização de átomos e moléculas. Entretanto, para Deus, a vida é muito além de tudo isso, é verdadeiramente um dom Divino, em que nossas finalidades estão em Deus. Ele nos criou para fazer parte de Sua família. É preciso saber que não há nada de mais sagrado para Deus do que a família; porque Ele é a família divina; o Pai, o Filho e o Espirito Santo. 

Na Carta Família, lugar de perdão”, o Papa Francisco nos ensina que:   

“Não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Decepcionamos uns aos outros. Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão. O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão, a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas.

Sem perdão, a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração. Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente.

É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença”.

O perdão precisa ser entendido através de sua essência; logo, é necessário saber distinguir o que é perdoar do que é desculpar. Desculpar é reconhecer com justiça que alguém não tem culpa nenhuma, como, por exemplo, ao esbarrar em uma pessoa, automaticamente pedimos desculpas, ou seja, nesse ato reconhecemos com justiça que nada fizemos intencionalmente. Já perdoar é reconhecer que a pessoa tem culpa, mas não exigir aquilo que é devido. Por isso é tão difícil perdoar; e o perdão se torna mais difícil quando um familiar está envolvido ou  então alguém próximo de confiança. 

Irmãos, vamos adentrar uma parábola muito conhecida: 

Todos os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar.  Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles.’ Então Jesus contou-lhes esta parábola: ‘Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: `Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’.

Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos. O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos empregados: `Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete.  Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. O criado respondeu: `É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: `Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. Então o pai lhe disse: `Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado’” (Lc 15, 1-3. 11-32).

Irmãos, analisando a parábola através da ótica do irmão mais velho, percebemos o quão difícil é perdoar aqueles que estão próximo de nós.

Pois o perdão significa uma carta em branco dando a oportunidade de novos ferimentos novamente. Entretanto, o pai, com grande sabedoria, percebe a necessidade de acolher o filho, de fato, não tinha ressentimentos contra o filho, não houve meras desculpas. Aquele filho imaginava que nunca o pai o perdoaria, mas aconteceu exatamente o oposto, pois o pai o acolheu, o pai o abraçou, o pai fez festa. Isso significa que numa família é necessário a misericórdia. 

Os fariseus perguntavam a Jesus: “Por que você come com os pecadores?” Porque na família divina Deus nos aceita de novo. Se cada um de nós pedir o perdão, se nós voltarmos a Ele, não haverá recusas por parte d’Ele, não importa o tamanho do pecado, não importa por onde estivemos nos submetendo, porque o que Deus está esperando é a nossa volta e quando voltamos a Ele, é um Pai que vai nos beijar, que vai nos abraçar. É um Pai que vai fazer festa, o Céu festeja por aquela alma que estava perdida. Há mais festa no resgate de uma alma pecaminosa do que uma justa. A Palavra de Deus diz que sente alegria quando um pecador volta para casa. Deus não faz festa quando estamos no pecado; Ele faz festa quando pedimos perdão.  Somos iguais ao filho mais velho: muitas vezes, não aceitamos o perdão e muito menos atribuímos o perdão; portanto, aprendamos com a parábola, quando o pai diz ao filho mais velho: “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”.

Não esperemos o nosso curto intervalo de tempo acabar para perdoar. Peçamos que o Espírito de Deus esteja nos capacitando e nos guiando para vivermos em família. 

Que Deus nos abençoe hoje e sempre.

Leandro Ruyz
Vocacionado da Comunidade Pantokrator

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