Família, a escola do perdão

Perdão

A família é a escola do perdão, e podemos afirmar isso baseado na experiência particular de se ver impelido a agir com misericórdia e entender a limitação do outro e por vezes aceitar ser nós mesmos o alvo dessa misericórdia, acolhendo nossos limites e misérias. São os laços familiares que nos movem a tentar entender o outro e acolhê-lo.

Vemos isso explicitamente em famílias que um dos membros é dependente químico, existe um desgaste e uma ferida profunda em toda a família, mas nunca uma desistência total, por vezes pode-se até aceitar a liberdade do indivíduo de não querer ajuda, mas há também nisso uma dor para cada familiar. 

Nosso lar carrega uma história, muitas lutas e conquistas e em muitas famílias as marcas que as histórias deixam causa discórdia e divisão. A falta de paciência e acolhimento, o cansaço dos mesmos erros corrói nossas casas. Precisamos nos apressar para entender que a família é um projeto de Deus e que passa pelo plano de salvação em nossas vidas. 

Quando Deus fala que o homem deixará sua casa e se unirá a sua mulher Ele se refere ao princípio da primeira comunidade cristã, a primeira comunidade do amor. A vida em comunidade exige de nós sacrifícios e o perdão é um deles. 

O perdão para quem mais amamos 

Portanto, aqueles que mais amamos são os que mais exigem de nós, pois é esse o sentido da palavra amor, que não está baseado em um sentimento, mas sim na escolha pelo outro. 

Um casal que faz a promessa de se amar e permanecer ao lado do outro no altar no dia do seu casamento não está prometendo sentir sempre coisas boas em relação ao outro. Eles prometem permanecer juntos independente do quanto o outro exija e nesse caminho de fazer do outro o amor que vai durar a sua vida existe o perdão mútuo, pois o pecado em nós atinge meu próximo. 

Vejamos que o perdão está diretamente ligado ao ato de amar, e como diz São João da Cruz “a alma que caminha no amor não cansa e nem se cansa”. Por isso, Jesus ao dizer que devemos perdoar setenta vezes sete quer nos falar para perdoar quantas vezes for necessário.

Na bíblia, o número que simboliza a perfeição, o completo, é o número sete. Amar sem medidas, não restringir o número de vezes que seu coração precisará ir de encontro com o coração do outro para perdoar sua humanidade caída e com a humildade de quem sabe também das suas misérias e pecados e se deixa ser acolhido e corrigido. 

Sobre o mesmo ponto de vista, podemos afirmar que, quem ama pode sim corrigir, discordar, e não aceitar o erro do outro, pois hoje se tem a falsa percepção que para você amar alguém precisa ser passivo diante de todas as escolhas erradas e sem coerência. Isso é uma ilusão de quem não conhece realmente a profundidade do amor, até porque Nosso Senhor, inúmeras vezes corrige duramente seus discípulos expondo a eles seus pecados e suas faltas.

Cristo, em momento nenhum faz isso para humilhá-los, mas unicamente para corrigir por amor e com amor. 

É por isso que os pais devem corrigir seus filhos e os esposos devem corrigir um ao outro, mantendo sempre o olhar no desejo que essa pessoa não perca sua alma e ter sempre um coração disposto a perdoar o que o outro ainda não consegue. 

Esse é o movimento de Deus por nós. Ele é! Nós não somos e com misericórdia Ele se abaixa até nossas misérias e nos perdoa, pois em nossa humanidade não seríamos capazes de reparar nossos erros e é olhando para Cruz, ato de amor que chegou ao extremo sacrifício, que devemos reconhecer com humildade nossas faltas e aceitar a redenção de Cristo em nossas vidas e sendo imagem e semelhança Dele que devemos dar o perdão. 

A família é a escola do perdão, porque constantemente renova essa experiência de tocar as feridas profundas de cada coração e poder ser livre para amar cada um mesmo diante disso, pois Cristo morreu por João seu discípulo amado, mas também morreu por seus carrascos, pois, para quem ama não existe limitações.

A família pode ser lugar de descanso e acolhimento como também pode ser lugar de discórdia e divisão. A decisão está nas mãos de quem se dispõe a amar.  Comece você a não reclamar, a não expor a miséria dos seus, a não exigir do outro mais do que ele pode dar e passe a servir como você serviria o próprio Cristo, de você o primeiro passo do perdão. 

O perdão como passo para a liberdade 

Quem tem o coração disposto a dar o perdão tem o coração livre para amar, pois não se restringe com medo das frustrações que as diferenças podem trazer. Dentro do ambiente familiar, quem tem o coração disposto ao perdão, sabe reconhecer as diferenças como bençãos e usá-las para fortalecer sua decisão em se dar para o outro, principalmente quando essa pessoa não tem nada para dar em troca. 

Perdão, ceder espaço do seu orgulho para Deus realizar a obra de misericórdia e quando cedemos espaço para Deus, nós ganhamos um coração alargado e cheio de eternidade, pois sabemos que dessa terra só vamos levar o quanto fomos capazes de amar.

Você não será cobrado pelo tanto de vezes que estava certo em uma discussão dentro de casa, mas será cobrado o tanto de vezes que amou nesses momentos, o quanto foi disposto a perdoar. Deixemo-nos ser moldados por tão bela escola, que é fonte de conversão para nós e tenhamos o coração alargado pelo perdão. 

 

Tayná Barbosa
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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