E quando eu não sinto Deus?

Deus

Quando me passaram a proposta do texto desse mês, o tema estava categorizado como “livre”. Ou seja, isso é praticamente sinônimo de desespero, sangue, suor e lágrimas para mim, pois quanto mais livre, mais perdida eu fico para escrever. Sendo assim, recorri à coordenadora dos textos do site e desabafei a minha perdição, pouquíssimo dramática. Então ela me disse “Ah, Ana, escreve sobre aquilo que Deus está fazendo na sua vida, o que você está sentindo”. 

Pronto, aí a crise foi instaurada de vez. Isso porque estou vivendo um período mais “silencioso” espiritualmente, parece que não tenho escutado Jesus e que tenho estado mais sozinha. E se eu me ativer apenas ao meu primeiro impulso – muito limitado –, eu me rendo ao sentimento de que não sinto nada, de que nada acontece e de que sou esquecida. 

Xô, crise!

Posto isso, iremos deslindar essa ausência de sentimento em alguns pontos, para elucidar e ordenar nossas tendências exageradas e muitas vezes miseráveis. O primeiro aspecto que precisamos entender é que, assim como todo relacionamento de intimidade, a nossa vida com o Senhor passa por fases, e tais momentos estão lá para nos fazer amadurecer, crescer e consequentemente fortalecer e estreitar a relação. Desta forma, é normal!

Não podemos reduzir a nossa relação com Deus ao sentimento ou à emoção apenas, àquilo que é gostoso e que traz apenas um acalento. Nosso Deus é um Deus de puro Amor, e, em absolutamente tudo, Ele nos ama. Contudo, o nosso Deus também é o Deus da Cruz, e precisamos ser sinal desse Amor, mesmo quando Ele nos pede uma resposta exigente. Ademais, essa ideia de que eu só encontro Deus quando sinto calafrios, arrepios e momentos muito emocionantes é um tanto quanto egoísta, pois reduzimos a nossa relação à lei do menor esforço e não partimos para a busca, em nosso interior, do Amado de nossa alma.

Profunda superficialidade

Condicionarmos a nossa relação com Deus apenas ao exterior é, literalmente, muito superficial. Então pare e pense: se você tem a sensação de que Deus está te deixando no vácuo – o que Ele definitivamente não está fazendo – é talvez porque Ele quer que você amadureça na intimidade com Ele, de maneira profunda e real, independentemente de qualquer sentimentalismo. 

Deus me vê, embaixo da figueira, embaixo do meu vazio

Se eu ainda não te convenci, imagine se Natanael tivesse parado na crise existencial dele embaixo da figueira: ele não teria visto coisas muito maiores! A sua resposta de fé te conduz à magnanimidade daquilo que Deus tem guardado para os que O amam. A sua resposta constante e firme, mesmo quando parece que o Senhor te abandonou, a sua fidelidade na resposta, conduz à profundidade de um Amor avassalador, do Amor que o Todo-Poderoso tem por você. Consegue dimensionar isso?

Mas aí entra a palavrinha-chave: constância, perseverança, e a maior entre todas, a fidelidade. Temos que viver e buscar o Senhor sempre, sentindo ou não. Ele só realiza para aquele que O procura e O busca. Até porque, muitas vezes eu reclamei que não sentia nada no meu momento de oração, mas me pergunta se eu estava buscando o Senhor com a mesma constância que procurava quando sentia “borboletas no estômago” ou algo do gênero? Não, eu não buscava.

E eu preciso buscar sempre, e, acima de tudo, crer no poder transformador que o Senhor opera na minha alma mesmo quando eu não sinto, mesmo quando os meus sentidos não correspondem ou o meu emocional fica mais morno. 

Muito mais do que a figueira, Deus habita a minh’alma 

O Senhor sempre faz para aquele que abre o coração a Ele, o Senhor Todo-Poderoso, o Deus do infinitamente mais; sempre irá realizar na sua vida se você crer e buscá-Lo, independentemente de qualquer circunstância externa, interna ou seja o que for. 

E encerro te dando uma dica de ouro: a resposta para todo o aparente silêncio espiritual é o louvor, a adoração e a Eucaristia. Nós não vemos Jesus como Natanael viu, porém o próprio Cristo penetra a nossa alma e tem o poder de transformar todas as coisas, visíveis e invisíveis, sensíveis ou não.

Ana Clara Gonçalves
Vocacionada na Comunidade Católica Pantokrator

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