A Bailarina de Auschwitz e o sentido do sofrimento

Hoje gostaria de partilhar a resenha de um livro que trata sobre o sofrimento humano e uma vida com sentido.

“Força e flexibilidade andam juntas”, essa é uma frase que pode descrever esse livro sublime, da autora Edith Eva Eger, que foi uma sobrevivente do holocausto e presenteia o mundo com esse relato maravilhoso de uma vida vivida com sentido. 

Edith foi bailarina e ginasta até os 16 anos, quando foi enviada à Auschwitz com sua família. Após sobreviver ao Holocausto, sofreu diversos sintomas de estresse pós-traumático até os 50 anos, quando iniciou um longo processo de cura.

A autora é uma psicóloga, judia, mãe de três filhos, avó de vários netos e que nos conta nesse livro, A Bailarina de Auschwitz, suas memórias de quando passou pelos campos de concentração nazista e sua vida pós-libertação até seus 90 anos de idade. Além disso, ela nos conta alguns casos de seu consultório que a ajudaram durante o processo de superação total das marcas deixadas pelas perdas que teve durante o holocausto.

O livro é autobiográfico, no qual a autora nos conta em detalhes sua história de vida desde a adolescência, nos levando em uma viagem até os campos de concentração nazistas, especialmente o de Auschwitz, onde ela vive suas maiores experiências de sofrimento, fome, humilhação, frio e medo que deixaram marcas profundas em sua história, que foram curadas em um longo processo depois de sua libertação. Destaque para o relato de quando precisou dançar para o Dr. Mengele (o doutor da morte de Auschwitz) e em troca teve sua vida poupada, esse sem dúvida é um dos melhores trechos do livro.

“Força e flexibilidade andam juntas”

Com escrita leve, intensa e cheia de detalhes, é possível vivenciar toda as experiências com a autora. Particularmente, fui profundamente tocada por essa história:  chorei, fiquei com medo, me alegrei e terminei a leitura com a alma leve e feliz por tocar nessa história a beleza e o poder do perdão!

Edith, como psicóloga, segue os passos de Viktor Frankl, o fundador da logoterapia. Isso porque, a autora utiliza a psicologia do sentido, e consegue trazer para o leitor toda a riqueza de suas experiências de tantos anos, toda maturidade de uma personalidade livre e bem formada. Edith nos apresenta de maneira concreta que “todo processo de cura não acontece em linha reta”, mas se queremos ser felizes e encontrar o sentido de nossos sofrimentos, precisamos trilhar esse caminho.

Ela trata com sensibilidade toda a questão do sofrimento humano, deixando claro que não precisamos ir a um campo de concentração para ter uma vida de sofrimento, inclusive ela deixa claro que cada um sabe da sua dor e que não podemos minimizar o nosso sofrimento pessoal diante do sofrimento do outro, que pode parecer maior que o nosso, justamente porque cada um tem uma história única.

Não quero dar spoiler do livro, mas garanto que será uma leitura que mudará sua forma de ver a vida. Eu terminei a leitura com um coração transformado e ainda mais determinado em encarar as circunstâncias da minha vida e ser digna dos meus sofrimentos. 

Um dos trechos do livro, em que ela destaca uma fala de sua mãe antes de chegarem a Auschwitz, diz o seguinte “não importa o que aconteça, ninguém pode tirar de você o que você coloca em sua mente”, essas palavras sustentaram os dias de Edith em Auschwitz, e lendo isso me veio a lembrança de tantas coisas exteriores que acontecem em nossa vida e como nos deixamos ser levados por essa correnteza de acontecimentos. 

“Todo processo de cura não acontece em linha reta”

Embora não seja um livro cristão, gostaria de dar um viés cristão para essa frase, porque Deus habita nossa alma e em nosso interior, e quantas vezes deixamos de ouvi-Lo! Tantas vezes ficamos surdos com as vozes do mundo, dos nossos sofrimentos, das situações exteriores e acabamos por ficar surdos em relação à voz de Deus. 

Se alimentarmos nosso relacionamento com Deus, com o diálogo da oração silenciosa, no interior da nossa alma, com certeza conseguiremos dar mais sentido às circunstâncias da nossa vida. Assim como Edith encontrou a liberdade interior em Auschwitz, nós podemos encontrar essa liberdade hoje, especialmente se não deixarmos o mundo roubar a voz de Deus da nossa alma.

Deixo a você o convite para embarcar nessa leitura e conhecer mais dessa história tão linda e, mais que isso, tão impactante a ponto de transformar vidas.

Boa leitura! 

 

Fernanda Guardia
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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